Pacientes que possuem Anel de Ferrara podem ter dúvidas sobre a possibilidade de realizar exames de ressonância magnética (RM). A questão é relevante porque a RM utiliza um campo magnético intenso e exige uma triagem cuidadosa de implantes, dispositivos e possíveis corpos estranhos antes do exame.
Em resumo
- O Anel de Ferrara pertence à categoria dos segmentos de anel intracorneano, implantados no estroma da córnea, principalmente no manejo do ceratocone.
- A literatura médica descreve esses segmentos como implantes sintéticos, usualmente fabricados em polimetilmetacrilato (PMMA).
- Isso não significa que o paciente deva presumir, por conta própria, que qualquer implante ocular está automaticamente liberado para RM.
- Antes do exame, é essencial informar à equipe de radiologia a existência do implante e, quando possível, apresentar dados sobre o fabricante e o modelo.
O que é o Anel de Ferrara?
Os segmentos de anel intracorneano são pequenos implantes colocados cirurgicamente no estroma da córnea. Eles são utilizados principalmente para modificar a geometria corneana em pacientes selecionados com ceratocone e outras ectasias da córnea.
Revisões da literatura sobre esses dispositivos descrevem os segmentos intracorneanos como implantes sintéticos, geralmente produzidos em PMMA, um material polimérico. Essa característica é importante ao discutir ressonância magnética, já que os principais riscos relacionados ao campo magnético envolvem, entre outros fatores, propriedades específicas dos materiais e dos dispositivos presentes no corpo.
Ter um implante ocular não significa automaticamente que a RM seja proibida
A presença de um implante deve ser avaliada durante a triagem de segurança antes da ressonância magnética. O nome genérico do procedimento ou do dispositivo, isoladamente, pode não ser suficiente para estabelecer todas as condições aplicáveis ao exame.
No caso de segmentos intracorneanos, a composição descrita na literatura não deve ser confundida com a presença de um corpo estranho metálico intraocular. Ainda assim, essa informação não autoriza generalizar a conclusão para todo e qualquer dispositivo ocular.
Há diferentes tipos de implantes utilizados em oftalmologia, com materiais, finalidades e características distintas. Por isso, a equipe responsável pela RM deve receber informações precisas sobre cirurgias prévias e dispositivos implantados.
Por que o paciente deve informar o Anel de Ferrara antes do exame?
A triagem de segurança faz parte da rotina da ressonância magnética. Antes de entrar na sala do equipamento, o paciente normalmente responde a perguntas sobre cirurgias, próteses, implantes, dispositivos eletrônicos e possibilidade de fragmentos metálicos no organismo.
Mesmo quando um dispositivo é feito de material não ferromagnético, informar sua presença permite que os profissionais confirmem sua identificação e consultem, quando necessário, a documentação técnica correspondente.
Orientação prática: quem possui um Anel de Ferrara ou outro implante ocular deve comunicar essa informação ao serviço de ressonância magnética antes do exame. Se houver cartão do implante, relatório cirúrgico ou identificação do fabricante e modelo, esses documentos podem auxiliar a avaliação.
O cuidado com generalizações nas redes sociais
Publicações em redes sociais frequentemente apresentam a questão em formato direto: “quem tem Anel de Ferrara pode fazer ressonância magnética?”. Embora esse tipo de conteúdo seja útil para levantar dúvidas, uma resposta universal exige cautela.
A literatura consultada sustenta a descrição dos segmentos intracorneanos como implantes sintéticos usualmente feitos de PMMA. Entretanto, não foi localizada, na apuração desta matéria, documentação primária suficientemente clara do fabricante que permita atribuir uma classificação universal de segurança em RM a todas as versões e modelos comercializados sob a denominação Anel de Ferrara.
Atenção: a composição de um tipo de implante não deve ser usada para concluir que todos os implantes oculares são seguros nas mesmas condições. A identificação do dispositivo e a avaliação pela equipe de ressonância magnética continuam sendo etapas importantes antes do exame.
E se o paciente não souber qual implante possui?
Quando não há informação suficiente sobre um implante, o mais adequado é comunicar isso ao serviço responsável pelo exame. A equipe pode solicitar documentos adicionais ou realizar a verificação necessária de acordo com os protocolos de segurança adotados.
O paciente não deve omitir uma cirurgia ocular por considerar que o implante é pequeno ou antigo. Informações sobre procedimentos prévios ajudam os profissionais a diferenciar um implante conhecido de outras situações que podem exigir investigação específica, como a suspeita de corpo estranho metálico orbital.
Segurança em ressonância depende de identificação correta
A principal mensagem é que a presença de um Anel de Ferrara não deve ser tratada da mesma forma que a presença de um objeto metálico desconhecido no olho. Ao mesmo tempo, a decisão sobre a realização da RM não deve se basear exclusivamente em uma postagem de rede social ou em uma regra genérica.
Informar o implante, identificar corretamente o dispositivo e seguir a triagem do serviço de radiologia são as medidas mais seguras. Em caso de dúvida, a equipe pode consultar informações técnicas específicas antes de prosseguir com o exame.
Fontes:
Status da verificação: parcial. A composição usual dos segmentos intracorneanos é sustentada pela literatura médica consultada. Não foi localizada documentação primária suficientemente clara do fabricante para estabelecer uma classificação universal de segurança em RM para todas as versões/modelos denominados Anel de Ferrara.
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