AngioTC de Membros Inferiores (MMII): Indicações, Técnica, Contraste, BOTA e Dicas

AngioTC de Membros Inferiores (MMII): Indicações, Técnica, Contraste, BOTA e Dicas

Guia prático para técnicos sobre execução do AngioTC de MMII: protocolos de runoff, timing, volume de contraste, aquisições adicionais (BOTA) e recomendações técnicas.

1. Indicações principais

  • Suspeita de doença arterial periférica (DAP)
  • Claudicação intermitente
  • Estenoses e oclusões arteriais
  • Aneurismas periféricos
  • Planejamento pré-revascularização
  • Trombo arterial e traumas
  • Avaliação pós-bypass ou stents

2. Preparação do paciente

  • Jejum de 4 horas
  • Avaliar alergia ao contraste e função renal (creatinina/TFG)
  • Remover objetos metálicos das pernas e cintura
  • Explicar que o exame é relativamente longo e pedir imobilidade

3. Acesso venoso, contraste e fluxo

  • Acesso: Jelco 18G preferencial (20G aceitável quando necessário)
  • Local: veia antecubital
  • Fluxo: 4–5 mL/s
  • Volume: 90–120 mL (ajustar por biotipo e extensão)
  • Flush: 30 mL de soro fisiológico

4. Timing — Bolus Tracking

Use Bolus Tracking para monitorar o bolus e disparar no momento ideal.

  • ROI: aorta abdominal ou artéria femoral comum (conforme protocolo)
  • Disparo: 120–150 HU
  • Delay adicional: 3–6 segundos

Ao realizar runoff até os pés, priorize manter o bolus arterial forte durante toda a varredura.

5. Técnica de aquisição

  • Espessura de corte: ~0,6 mm
  • Varredura: da aorta até o dorso dos pés (ou segmentada)
  • Pitch moderado a alto (dependendo do scanner)
  • Reconstruções MIP por segmento: ilíacas, femoral, poplítea, tibiais
  • Em alguns serviços: aquisição segmentada ou dinâmica para otimizar distal

6. Aquisição BOTA (corte adicional: pés → joelho)

A BOTA é uma aquisição complementar rápida, realizada após a fase arterial principal, que cobre do pé até o joelho para melhorar o realce arterial distal.

Quando usar: pacientes com fluxo distal lento, DAP avançada, suspeita de isquemia crítica, ou quando a fase arterial veio com realce insuficiente nos tibiais.

Como é feita

  • Imediatamente depois da varredura principal, o técnico faz uma nova passagem limitada aos pés/tornozelos/pernas distais até o joelho.
  • Geralmente não exige novo contraste (aproveita o bolus remanescente).
  • Varredura curta, cortes finos (~0,6 mm) e em modo helical.

Vantagens

  • Melhora a visualização de artérias tibiais, peroneiras e plantares
  • Reduz necessidade de repetir o exame
  • Ajuda no planejamento cirúrgico e na avaliação do “runoff”

Dicas práticas para executar a BOTA

  • Verifique o realce distal na primeira passagem; se fraco, programe a BOTA
  • Execute a varredura rapidamente para aproveitar o bolus
  • Mantenha o paciente imóvel e pés alinhados
  • Evite rotação dos pés que dificulte reconstruções
  • Documente que a BOTA foi feita (útil para laudo e comparações futuras)

7. O que o radiologista avalia

  • Estenoses e oclusões
  • Placas calcificadas
  • Trombos e aneurismas periféricos
  • Runoff até o pé
  • Fluxo colateral e relação com tecidos moles

8. Dicas práticas gerais para o técnico

  • Teste o acesso antes da aquisição
  • Garanta conforto e imobilidade do paciente (exame longo)
  • Documente volumes, fluxos e qualquer intercorrência
  • Em caso de circulação muito lenta, comunique o radiologista para considerar BOTA
  • Verifique cobertura completa de ambos os membros

Publicado por Portal da Radiologia

Técnico em Radiologia com experiência em diferentes áreas da radiologia diagnóstica. Apaixonado por tecnologia e imagem médica, busco compartilhar conhecimento e novidades do setor através do Portal da Radiologia, contribuindo para a valorização da profissão e para a atualização de estudantes e profissionais da área.

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