A implantação do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), em Iperó, no interior paulista, voltou ao centro do debate público após auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) e manifestação oficial da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), divulgada em 16 de outubro de 2026.
O TCU apontou riscos ligados à insuficiência e à imprevisibilidade de recursos, além de fragilidades na gestão de contratos de infraestrutura. A CNEN afirmou que a fiscalização não concluiu pela existência de dano ao erário e contestou interpretações de superfaturamento consumado.
O que o TCU examinou
A auditoria ocorreu entre maio e agosto de 2026 e examinou a implantação do RMB e a execução das obras de infraestrutura básica, cujo contrato analisado chegou a aproximadamente R$ 38,8 milhões após aditivos. Segundo a divulgação oficial do TCU, o projeto completo tem custo estimado entre R$ 3 bilhões e R$ 6 bilhões, valores de estimativa global, não de um único contrato. O órgão apontou riscos de atrasos pela falta de recursos suficientes e previsíveis e problemas de gestão contratual que exigem providências.
O que diz a CNEN
Em nota publicada em 16 de outubro, a CNEN afirmou que os apontamentos envolvem, entre outros aspectos, a aplicação do desconto original da licitação aos novos serviços incorporados por aditivos. A autarquia informou que a auditoria não resultou em multas, imputação de débito ou responsabilização de gestores e afirmou ter adotado providências de correção. Essa é a posição institucional da CNEN, distinta dos achados e recomendações do órgão de controle.
Por que importa para a Medicina Nuclear
O RMB foi concebido para ampliar a produção nacional de radioisótopos, especialmente molibdênio-99, relevante na cadeia de fornecimento de tecnécio-99m utilizado em exames de Medicina Nuclear. A conclusão do projeto poderá reduzir dependências externas, mas não há, nesta notícia, confirmação de nova data de operação ou garantia de financiamento integral.
Próximos passos
O acompanhamento deve observar as providências determinadas ou recomendadas pelo TCU, a programação financeira, a gestão dos contratos e os marcos futuros do empreendimento. O impacto sobre a oferta de radiofármacos é potencial e depende da efetiva conclusão e operação da infraestrutura.
A auditoria identificou riscos e impropriedades, mas isso não equivale a afirmar condenação definitiva por superfaturamento ou dano comprovado. A íntegra do acórdão deve ser considerada em eventuais atualizações.
Fontes: TCU, 13/10/2026; CNEN, 16/10/2026.
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