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Doses de radiação em tomografias caem 22% com avanço dos equipamentos e protocolos

Os níveis de referência de dose utilizados em exames de tomografia computadorizada nos Estados Unidos apresentaram redução média de quase 22% em comparação...

Os níveis de referência de dose utilizados em exames de tomografia computadorizada nos Estados Unidos apresentaram redução média de quase 22% em comparação com os parâmetros adotados há cerca de uma década.

O resultado aparece em um novo estudo publicado na revista científica Radiology, que analisou aproximadamente 5,2 milhões de exames realizados durante 2025 em quase 600 unidades de saúde norte-americanas.

Segundo os pesquisadores, os dados indicam uma redução importante nos níveis de referência diagnóstica, acompanhada também por queda de aproximadamente 20% no produto dose-comprimento, indicador que considera a exposição ao longo de toda a aquisição tomográfica.

Principais resultados do estudo
  • A análise incluiu cerca de 5,2 milhões de exames de tomografia computadorizada.
  • Os exames foram realizados em quase 600 unidades de saúde dos Estados Unidos.
  • Os níveis de referência diagnóstica caíram, em média, quase 22% em relação aos valores utilizados em 2014.
  • O produto dose-comprimento apresentou redução aproximada de 20%.
  • As maiores quedas foram observadas em exames de tórax com e sem contraste.

Estudo comparou dados de 2025 com referências de 2014

O trabalho, intitulado Updated US National Diagnostic Reference Levels and Achievable Doses for Adult CT, atualizou os níveis nacionais de referência diagnóstica e as doses alcançáveis para exames de tomografia computadorizada em adultos nos Estados Unidos.

Os pesquisadores utilizaram dados coletados em 2025 e compararam os resultados com os níveis de referência empregados em 2014.

A análise mostrou uma redução média próxima de 22% nos níveis de referência diagnóstica. O produto dose-comprimento, conhecido pela sigla DLP, também apresentou queda de aproximadamente 20%.

Esse indicador considera a dose ao longo da extensão examinada e é utilizado na avaliação e comparação de protocolos de tomografia.

Maiores reduções ocorreram em exames de tórax

As quedas variaram de acordo com o tipo de exame e o protocolo utilizado.

Reduções destacadas na análise
  • Tomografia de tórax com contraste: redução de aproximadamente 31%.
  • Tomografia de tórax sem contraste: redução de aproximadamente 27%.
  • Tomografia de crânio sem contraste: redução mais discreta, de cerca de 4%.

Os resultados mostram que a redução não ocorreu de maneira uniforme em todos os exames. Enquanto os protocolos de tórax apresentaram quedas mais expressivas, a tomografia de crânio sem contraste teve alteração menor.

Essa diferença reforça a importância de avaliar cada modalidade e indicação separadamente, considerando as características do exame, o equipamento utilizado e a necessidade de preservar a qualidade diagnóstica.

Avanços tecnológicos podem ter contribuído

O estudo não avaliou isoladamente qual tecnologia ou mudança específica foi responsável pela diminuição das doses.

Os autores, porém, apontam que os resultados são compatíveis com a evolução dos equipamentos e das estratégias de otimização adotadas ao longo dos últimos anos.

Fatores associados à redução das doses
  • Evolução dos detectores utilizados nos equipamentos de tomografia.
  • Melhorias nos tubos de raios X.
  • Aperfeiçoamento dos protocolos de aquisição.
  • Uso de reconstruções baseadas em aprendizado de máquina.
  • Maior atenção à otimização das doses nos serviços de imagem.

Esses fatores podem permitir a obtenção de imagens diagnósticas com menor exposição, desde que os protocolos sejam ajustados de forma adequada às características do paciente e à finalidade clínica do exame.

O que são níveis de referência diagnóstica

Os níveis de referência diagnóstica são parâmetros utilizados para comparar doses praticadas em exames de imagem e identificar situações em que os valores podem estar acima do esperado.

Eles não representam limites individuais de dose nem determinam, de forma isolada, se um exame foi realizado corretamente. Sua função é apoiar processos de avaliação, controle de qualidade e otimização dos protocolos.

Quando um serviço apresenta valores sistematicamente superiores às referências, pode ser necessário revisar parâmetros técnicos, equipamentos, protocolos e práticas de aquisição.

Da mesma forma, doses muito baixas também precisam ser avaliadas, pois a redução da exposição não pode comprometer a qualidade da imagem ou a capacidade de responder à questão clínica.

Impacto para Técnicos e Tecnólogos em Radiologia

Os resultados têm relação direta com a rotina dos profissionais que atuam na tomografia computadorizada.

Técnicos e Tecnólogos em Radiologia participam da aplicação dos protocolos, do posicionamento, da seleção dos parâmetros de aquisição e da avaliação inicial da qualidade das imagens.

Pontos importantes para a prática profissional
  • Aplicar protocolos adequados à indicação clínica.
  • Considerar as características e dimensões do paciente.
  • Evitar repetições causadas por posicionamento inadequado ou falhas técnicas.
  • Acompanhar atualizações dos níveis de referência diagnóstica.
  • Trabalhar em conjunto com radiologistas, físicos médicos e responsáveis técnicos.
  • Manter a qualidade diagnóstica durante a otimização das doses.

A redução observada ao longo da última década também evidencia a importância da atualização profissional contínua.

Novos recursos de reconstrução, automação e controle de exposição exigem conhecimento técnico para que sejam utilizados de forma correta e segura.

Referências precisam acompanhar a evolução dos equipamentos

Ao atualizar os níveis nacionais de referência, o estudo mostra que valores estabelecidos anos atrás podem deixar de representar a prática atual.

Equipamentos mais modernos, protocolos revisados e novas técnicas de reconstrução podem reduzir a exposição necessária para produzir imagens com qualidade diagnóstica.

Por esse motivo, os níveis de referência devem ser revisados periodicamente e comparados com dados recentes e representativos.

A atualização desses parâmetros pode ajudar os serviços a identificar oportunidades de otimização e a evitar a manutenção de protocolos baseados em equipamentos ou práticas já superadas.

Limitação importante

O estudo identificou uma redução global nos níveis de referência de dose, mas não determinou isoladamente qual equipamento, tecnologia ou mudança de protocolo foi responsável pelos resultados. As associações com novos detectores, tubos de raios X, reconstruções baseadas em aprendizado de máquina e otimização de protocolos devem ser interpretadas como fatores compatíveis com a tendência observada.

Redução de dose deve preservar a qualidade diagnóstica

A diminuição da exposição à radiação é um objetivo importante na tomografia computadorizada, mas não deve ser tratada como uma redução indiscriminada dos parâmetros técnicos.

O protocolo precisa produzir imagens suficientes para responder à indicação clínica. Caso a qualidade seja inadequada, o exame pode perder valor diagnóstico ou precisar ser repetido, aumentando novamente a exposição e o tempo de atendimento.

Os dados reforçam, portanto, a necessidade de combinar tecnologia, revisão de protocolos, controle de qualidade e capacitação das equipes.

O avanço observado na última década sugere que a tomografia computadorizada pode continuar evoluindo em direção a exames mais eficientes, com menor exposição e manutenção da qualidade necessária ao diagnóstico.

Fontes

Estudo científico: Updated US National Diagnostic Reference Levels and Achievable Doses for Adult CT, publicado na revista Radiology em 28 de julho de 2026.

Instituição científica: Radiological Society of North America — RSNA.

Divulgação especializada: Radiology Business, publicação de 30 de julho de 2026.


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