Radioterapia pelo Brasil — Parte 1: Nordeste

Expansão, interiorização e modernização da radioterapia no Nordeste, com foco no SUS e nos desafios para transformar investimentos em atendimento.

Série EspecialRadioterapia pelo BrasilParte 1 de 5
Série Especial — Radioterapia pelo Brasil

O Portal da Radiologia percorre as cinco regiões do país para mostrar onde a radioterapia está avançando, quais investimentos estão em andamento e quais desafios ainda separam pacientes do tratamento.

A expansão da radioterapia no Nordeste brasileiro ganha importância diante de um desafio que vai além da compra de equipamentos: transformar investimentos, obras e tecnologia em tratamento disponível perto de onde o paciente vive.

Panorama

  • O PER-SUS foi criado para ampliar e criar serviços de radioterapia e reduzir vazios assistenciais.
  • O projeto original prevê 100 soluções de radioterapia, reunindo equipamento e infraestrutura.
  • O PER-SUS II reforça a substituição de máquinas antigas e a instalação de aceleradores em locais com déficit de oferta.
  • Bahia e Pernambuco aparecem entre estados contemplados por ações recentes.

Por que a expansão importa para o Nordeste

A radioterapia integra o tratamento de diferentes tipos de câncer e pode ser utilizada isoladamente ou em combinação com cirurgia, quimioterapia e outras modalidades. Como muitos esquemas terapêuticos exigem sessões sucessivas, a distância entre a residência e o centro especializado pode se transformar em uma barreira adicional.

O desafio regional não é apenas aumentar o número de máquinas. É distribuir melhor a capacidade de atendimento, fortalecer centros fora das capitais e garantir que obras, licenciamento, manutenção e equipes especializadas acompanhem a expansão.

PER-SUS e PER-SUS II

O Ministério da Saúde informa que o Plano de Expansão da Radioterapia no SUS tem como objetivo ampliar e criar novos serviços em hospitais habilitados, reduzindo vazios assistenciais. A segunda etapa, vinculada ao Novo PAC, acrescenta a substituição de equipamentos antigos ou sem suporte e a ocupação de casamatas prontas que ainda estejam sem acelerador.

Não é apenas comprar um acelerador

Radioterapia exige bunker ou casamata adequada, instalação, testes de aceitação, comissionamento, dosimetria, controle de qualidade, licenciamento e uma equipe multiprofissional preparada.

Bahia recebe reforço na estrutura oncológica

Em abril de 2025, o Ministério da Saúde anunciou um novo equipamento de braquiterapia destinado à Bahia dentro de uma ação nacional que envolveu cinco aceleradores lineares e dois aparelhos de braquiterapia para sete estados. O anúncio fazia parte da retomada da expansão da radioterapia e previa entrada em funcionamento conforme a conclusão das obras de instalação.

A Bahia também possui histórico de participação no plano federal. Em Feira de Santana, por exemplo, o Hospital Dom Pedro de Alcântara recebeu acelerador linear em etapa anterior do programa, reforçando a lógica de regionalização do tratamento.

Interiorização pode reduzir deslocamentos

Para pacientes do interior, ampliar serviços regionais pode significar menos viagens para grandes centros urbanos. Isso é especialmente relevante quando o tratamento exige comparecimento frequente durante várias semanas.

A interiorização, porém, precisa vir acompanhada de capacidade real de atendimento. Um equipamento indisponível por falta de manutenção ou uma unidade sem profissionais suficientes não resolve o vazio assistencial.

Profissionais fazem parte da expansão

Radio-oncologistas, físicos médicos, profissionais das técnicas radiológicas, enfermagem e outras categorias trabalham de forma integrada. Para Técnicos e Tecnólogos em Radiologia, a expansão também reforça a importância de formação específica em radioterapia, posicionamento, imobilização, proteção radiológica, segurança e rotinas dos equipamentos.

O que precisa ser acompanhado

Da promessa ao atendimento

  • conclusão das obras;
  • instalação e licenciamento dos equipamentos;
  • entrada efetiva em operação clínica;
  • contratação e qualificação das equipes;
  • manutenção e disponibilidade das máquinas;
  • efeito sobre filas e deslocamentos.

Expansão precisa chegar ao paciente

O avanço da radioterapia no Nordeste será melhor medido não pelo número de anúncios, mas pela capacidade de transformar infraestrutura em tratamento seguro, contínuo e acessível. A modernização do parque tecnológico abre uma oportunidade importante, mas o resultado depende de execução, recursos humanos e sustentabilidade dos serviços.

Fontes: Ministério da Saúde — PER-SUS e PER-SUS II; Ministério da Saúde — anúncios de expansão da radioterapia e braquiterapia; INCA — Estimativa 2026; informações institucionais de saúde da Bahia.

Nota editorial: anúncios, obras, equipamentos adquiridos e serviços em funcionamento são tratados como etapas distintas. O Portal não considera um equipamento operacional sem confirmação correspondente.

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