🩻 USP desenvolve tomógrafo de mama por ultrassom sem radiação e sem compressão
Tecnologia nacional usa ondas sonoras e água morna para gerar imagens tridimensionais da mama; equipamento ainda está em validação clínica e pode fortalecer o diagnóstico por imagem no Brasil.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um tomógrafo de mama por ultrassom chamado TomUS, uma tecnologia nacional que promete oferecer uma alternativa complementar, mais confortável e livre de radiação ionizante para o diagnóstico do câncer de mama.
O equipamento foi criado pelo Grupo de Inovação e Instrumentação Médica e Ultrassom (GIIMUS), da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, e está em fase de validação clínica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.
Como funciona o TomUS?
Diferente da mamografia convencional, o TomUS não utiliza raios X e não exige compressão da mama.
Durante o exame, a paciente permanece deitada de bruços em uma maca. A mama é posicionada em uma abertura e fica imersa em água morna, que funciona como meio para a propagação das ondas ultrassônicas.
A partir disso, o sistema realiza uma varredura automatizada com ultrassom, captando informações em diferentes ângulos para gerar imagens tridimensionais da mama.
Por que a água morna é utilizada?
A água morna não tem função terapêutica. Ela é utilizada porque o ultrassom precisa de um meio adequado para se propagar.
Na ultrassonografia convencional, esse papel é feito pelo gel aplicado sobre a pele. No TomUS, a água permite que as ondas sonoras atravessem a mama de forma mais uniforme, ajudando na aquisição dos dados necessários para a reconstrução das imagens.
Além disso, o uso da água evita contato direto rígido e elimina a necessidade de compressão intensa da mama.
Principais diferenciais da tecnologia
O TomUS se destaca por reunir características importantes para o futuro do diagnóstico por imagem:
- não utiliza radiação ionizante;
- não exige compressão da mama;
- realiza aquisição automatizada;
- gera imagens volumétricas em 3D;
- utiliza tecnologia nacional;
- pode ser associado a telemedicina;
- tem potencial para uso futuro com inteligência artificial.
Segundo publicações sobre o projeto, o exame pode ser realizado em poucos minutos, com reconstrução digital das imagens e possibilidade de análise remota por especialistas.
TomUS substitui a mamografia?
Ainda não.
Esse é um ponto essencial.
O TomUS está em fase de validação clínica. Isso significa que os pesquisadores ainda precisam comparar seus resultados com métodos já consolidados, como mamografia, ultrassonografia convencional e ressonância magnética.
Portanto, neste momento, a tecnologia deve ser vista como uma proposta complementar e promissora, mas não como substituta da mamografia.
A mamografia continua sendo o principal método utilizado no rastreamento do câncer de mama.
Qual a importância para pacientes com mamas densas?
Um dos pontos mais relevantes da tecnologia é seu possível benefício em pacientes com mamas densas.
Em mamas densas, a mamografia pode apresentar limitações, pois o tecido fibroglandular pode dificultar a visualização de pequenas lesões.
Como o TomUS utiliza ultrassom e gera reconstruções volumétricas, ele pode futuramente auxiliar na avaliação complementar desses casos, aumentando a precisão diagnóstica quando combinado a outros métodos.
Tecnologia nacional e impacto para o SUS
Um dos aspectos mais importantes do projeto é o fato de ser uma tecnologia desenvolvida no Brasil.
Isso pode reduzir a dependência de equipamentos importados e fortalecer a produção científica e tecnológica nacional.
Caso a validação clínica confirme bons resultados, o TomUS poderá abrir caminho para soluções mais acessíveis em regiões com menor oferta de exames especializados.
A possibilidade de integração com telemedicina também é um ponto estratégico. As imagens poderiam ser adquiridas em uma unidade de saúde e avaliadas remotamente por radiologistas, ampliando o alcance do diagnóstico especializado.
O papel da inteligência artificial
A inteligência artificial pode ter papel importante em tecnologias como o TomUS.
Ela pode auxiliar em etapas como:
- reconstrução das imagens;
- padronização da aquisição;
- segmentação de estruturas;
- identificação de áreas suspeitas;
- apoio à interpretação médica.
No entanto, é importante lembrar que a IA não substitui o médico radiologista nem a equipe técnica. Ela funciona como ferramenta de apoio, especialmente em exames com grande volume de dados.
O que muda para os profissionais da Radiologia?
Para Técnicos e Tecnólogos em Radiologia, tecnologias como o TomUS mostram que o futuro da profissão exigirá cada vez mais atualização.
Mesmo sendo baseado em ultrassom, o equipamento envolve conceitos diretamente relacionados ao diagnóstico por imagem, como:
- posicionamento do paciente;
- aquisição volumétrica;
- controle de qualidade;
- reconstrução de imagens;
- armazenamento digital;
- integração com sistemas de laudo;
- atendimento humanizado.
O profissional da Radiologia precisará compreender diferentes tecnologias, mesmo aquelas que fogem do modelo tradicional baseado em raios X.
Um avanço promissor, mas ainda em estudo
A criação do TomUS é uma excelente notícia para a ciência brasileira e para o diagnóstico por imagem.
A proposta de um exame de mama sem radiação, sem compressão e com reconstrução tridimensional é extremamente promissora.
Mas, do ponto de vista científico, ainda é necessário aguardar os resultados da validação clínica.
Somente estudos comparativos maiores poderão demonstrar com segurança qual será o real papel do TomUS na prática médica.
Conclusão
O tomógrafo de mama por ultrassom desenvolvido pela USP representa uma das inovações mais interessantes da tecnologia médica nacional.
Ele une engenharia biomédica, ultrassom, automação, reconstrução 3D, telemedicina e inteligência artificial em uma proposta voltada ao diagnóstico do câncer de mama.
Se os estudos clínicos confirmarem sua eficácia, o TomUS poderá se tornar uma importante ferramenta complementar no rastreamento e diagnóstico mamário, especialmente em regiões com menor acesso a exames especializados.
Para a Radiologia brasileira, essa inovação reforça uma mensagem importante: o futuro do diagnóstico por imagem também está sendo construído dentro das universidades e centros de pesquisa do Brasil.
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