Radioterapia pelo Brasil — Parte 4: Sudeste

O Sudeste amplia e renova sua rede de radioterapia, com novas entregas no interior e serviços especializados.

Série EspecialRadioterapia pelo BrasilParte 4 de 5
Série Especial — Radioterapia pelo Brasil

O Portal da Radiologia percorre as cinco regiões do país para mostrar onde a radioterapia está avançando, quais investimentos estão em andamento e quais desafios ainda separam pacientes do tratamento.

O Sudeste concentra grande parte da população brasileira e uma rede oncológica extensa, mas isso não elimina desigualdades de acesso. A expansão recente da radioterapia mostra que o desafio regional deixou de ser apenas ter tecnologia e passou também por distribuí-la melhor, renovar equipamentos e aproximar o tratamento de cidades do interior.

Panorama

  • O INCA estima 40.560 casos de câncer de mama feminina e 40.890 de próstata no Sudeste em 2026.
  • Marília (SP) inaugurou centro de radioterapia em dezembro de 2025.
  • Itabira (MG) e Colatina (ES) integraram a mesma rodada de entregas.
  • Em abril de 2026, Presidente Prudente (SP) e Teresópolis (RJ) receberam aceleradores em ação nacional.
  • O GRAACC, em São Paulo, recebeu novo acelerador para ampliar a radioterapia pediátrica.

Maior concentração não significa acesso uniforme

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo reúnem grandes centros de referência e hospitais de alta complexidade. Ao mesmo tempo, pacientes de cidades afastadas desses polos podem continuar enfrentando viagens importantes para realizar tratamento.

A política recente de expansão evidencia essa diferença ao direcionar equipamentos para cidades do interior e centros regionais.

Marília inaugura novo centro

Em dezembro de 2025, o Ministério da Saúde inaugurou um centro de radioterapia no Hospital das Clínicas da FAMEMA, em Marília. A capacidade anunciada para o acelerador foi de 600 novos pacientes do SUS por ano.

Na mesma rodada, o governo federal anunciou entregas em Itabira, Minas Gerais, e Colatina, Espírito Santo, além de outras cidades brasileiras.

Interiorização também é pauta no Sudeste

A existência de grandes centros nas capitais não elimina o custo humano e logístico de viagens frequentes. Levar radioterapia para cidades-polo pode reduzir distância e redistribuir a demanda.

Novas entregas em 2026

Em abril de 2026, Presidente Prudente, em São Paulo, e Teresópolis, no Rio de Janeiro, fizeram parte de uma ação simultânea do Ministério da Saúde que entregou cinco novos aceleradores em cidades do interior do país.

O Ministério informou investimento total de R$ 58,8 milhões nos cinco novos serviços e destacou que, nas regiões contempladas, a distância até referências podia variar de 120 a 600 quilômetros.

Radioterapia pediátrica também recebe tecnologia

Na capital paulista, o Hospital do GRAACC recebeu em abril de 2026 um novo acelerador linear com investimento federal superior a R$ 8 milhões. Segundo o Ministério da Saúde, o centro já estava em funcionamento e a nova tecnologia ampliaria a oferta em 600 atendimentos.

Esse exemplo mostra outra dimensão da modernização: além de expandir geograficamente, a política também pode qualificar serviços altamente especializados.

O tamanho da demanda

Para 2026, o INCA estima 40.560 novos casos de câncer de mama feminina e 40.890 de próstata no Sudeste. Para cólon e reto, a estimativa regional soma 29.790 casos entre homens e mulheres.

Os números ajudam a dimensionar a necessidade de uma rede capaz de absorver grande volume de pacientes. A indicação de radioterapia, entretanto, depende da situação clínica e não se aplica automaticamente a todos os casos.

Renovação do parque tecnológico

No Sudeste, parte do desafio está em substituir equipamentos antigos ao mesmo tempo em que novas áreas recebem capacidade adicional. O PER-SUS II prevê justamente a substituição de máquinas obsoletas, instalação em casamatas prontas e fortalecimento de áreas com déficit.

Mais tecnologia, mais exigência de qualidade

A expansão de técnicas de maior precisão exige planejamento, imagem, dosimetria e controle de qualidade compatíveis. A incorporação tecnológica precisa vir acompanhada de treinamento e processos capazes de manter segurança e reprodutibilidade.

O que acompanhar no Sudeste

  • interiorização dos novos serviços;
  • renovação de aceleradores antigos;
  • capacidade de absorção dos grandes centros;
  • radioterapia pediátrica e serviços especializados;
  • tempo de espera e deslocamento dos pacientes;
  • disponibilidade de profissionais.

O desafio é distribuir melhor

No Sudeste, a expansão mostra que possuir uma rede numerosa não basta. O objetivo passa por reduzir desigualdades dentro da própria região, renovar a tecnologia e garantir que o tratamento esteja disponível em tempo adequado também fora dos maiores centros urbanos.

Fontes: Ministério da Saúde — entregas em Marília, Itabira, Colatina, Presidente Prudente e Teresópolis; novo acelerador do GRAACC; PER-SUS/PER-SUS II; INCA — Estimativa 2026 para a Região Sudeste.
PORTAL DA RADIOLOGIA

Descubra o Portal

Muito além das notícias.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *