Radioterapia pelo Brasil — Parte 3: Sul

Novos aceleradores no interior de Santa Catarina e Rio Grande do Sul reforçam a modernização e regionalização da radioterapia no Sul.

Série EspecialRadioterapia pelo BrasilParte 3 de 5
Série Especial — Radioterapia pelo Brasil

O Portal da Radiologia percorre as cinco regiões do país para mostrar onde a radioterapia está avançando, quais investimentos estão em andamento e quais desafios ainda separam pacientes do tratamento.

A Região Sul entra em uma nova etapa de modernização da radioterapia no SUS, com entregas recentes de aceleradores lineares no interior e uma demanda oncológica relevante. Em 2026, novas estruturas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul reforçaram a estratégia de aproximar o tratamento dos pacientes.

Panorama

  • Jaraguá do Sul (SC) recebeu novo acelerador linear em abril de 2026.
  • Lajeado (RS) recebeu novo acelerador linear na mesma ação nacional.
  • Cada uma dessas entregas teve investimento federal informado de R$ 8,8 milhões.
  • O Paraná também apareceu entre os estados contemplados em ações recentes do PER-SUS.
  • O INCA estima para 2026, na região, 12.550 casos de câncer de mama feminina e 8.640 de próstata.

Novos aceleradores no interior

Em 27 de abril de 2026, o Ministério da Saúde anunciou entregas simultâneas de aceleradores lineares em cinco cidades brasileiras. Duas delas ficam no Sul: Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, e Lajeado, no Rio Grande do Sul.

Em Jaraguá do Sul, o equipamento foi instalado no Hospital São José, com investimento de R$ 8,8 milhões. O Ministério informou expectativa de ampliar em pelo menos 30% o número de pacientes atendidos na unidade.

Em Lajeado, o novo acelerador foi instalado no Hospital Bruno Born, também com R$ 8,8 milhões de investimento federal. A justificativa central foi fortalecer o atendimento regional e reduzir deslocamentos.

Interiorização

Mesmo em regiões com rede de saúde mais estruturada, concentrar radioterapia em poucos centros obriga pacientes a percorrer longas distâncias. A expansão para cidades-polo pode redistribuir a capacidade e aliviar serviços de referência.

Paraná também integra a expansão

Em abril de 2025, o Ministério da Saúde anunciou Campina Grande do Sul, no Paraná, entre os municípios contemplados com novo acelerador linear em uma ação do PER-SUS. O anúncio vinculava a entrada em operação à conclusão das obras de instalação, motivo pelo qual anúncio e funcionamento devem ser tratados como etapas diferentes.

Demanda oncológica regional

Para 2026, o INCA estima 12.550 novos casos de câncer de mama feminina e 8.640 de próstata na Região Sul. Cólon e reto, pulmão e outras neoplasias também aparecem com números expressivos. Esses dados não equivalem ao número de pacientes que precisarão de radioterapia, mas ajudam a dimensionar a pressão sobre a rede de diagnóstico e tratamento.

Modernização também significa substituir máquinas antigas

Uma rede de radioterapia precisa renovar equipamentos ao longo do tempo. O PER-SUS II prevê substituir máquinas antigas ou obsoletas e instalar aceleradores em casamatas prontas, além de enfrentar déficits regionais. No Sul, portanto, a discussão envolve tanto expansão territorial quanto atualização tecnológica.

Precisão exige controle de qualidade

Aceleradores modernos podem incorporar recursos de imagem, planejamento e entrega de dose mais sofisticados. Isso amplia possibilidades terapêuticas, mas aumenta a necessidade de comissionamento, testes periódicos, física médica, dosimetria e protocolos rigorosos.

Impacto para Técnicos e Tecnólogos

O crescimento e a modernização dos serviços ampliam a necessidade de profissionais capacitados em radioterapia. Posicionamento e imobilização, identificação, execução técnica, proteção radiológica, registro e comunicação com a equipe fazem parte de uma rotina em que precisão e segurança são essenciais.

O que acompanhar no Sul

  • produção dos novos equipamentos;
  • redução de deslocamentos;
  • substituição de máquinas antigas;
  • capacidade dos centros do interior;
  • tempo de espera para início do tratamento;
  • formação e disponibilidade das equipes.

Uma expansão que precisa ser sustentável

As entregas de 2026 mostram uma estratégia clara de fortalecer centros regionais. O resultado, porém, dependerá da capacidade de manter os equipamentos operacionais e de integrar tecnologia, profissionais e financiamento de forma contínua.

Fontes: Ministério da Saúde — entregas de aceleradores em Jaraguá do Sul e Lajeado, abril de 2026; anúncio de expansão no Paraná; PER-SUS/PER-SUS II; INCA — Estimativa 2026 para a Região Sul.
PORTAL DA RADIOLOGIA

Descubra o Portal

Muito além das notícias.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *